Faça refresh, Satya Nadella
- Novembro 11, 2022
- Publicado por: Paulo Gafanha
- Categoria: Leituras

Numa fase da minha vida em que sentia que precisava de mudar, junto com a minha ligação profissional à utilização e
formação de produtos da Microsoft e a identificação com algumas ideias que ia ouvindo do seu mais recente CEO Satya Nadella, surgiu-me de forma natural a aquisição e leitura deste livro.
Em boa hora o fiz pois consegui, além de recuperar o gosto pela leitura, identificar outros livros que também vieram posteriormente a fazer-me ver a vida de uma forma diferente.
Da leitura deste livro percebi que estava preso numa atitude mental fixa ao invés da desejada atitude mental de crescimento. Percebi que tinha uma grande dose de empatia e que não a estava a utilizar de forma correta e, pelo contrário, a prejudicar-me por assumir demasiado “as dores dos outros”.
Aumentou ainda a minha vontade de contribuir para que mais pessoas possam utilizar a tecnologia de forma mais intensa e diferenciadora e, assim, contribuir para um maior crescimento pessoal e das suas organizações.
Deixo agora aqui algumas das ideias que mais me impactaram, num resumo desconstruído do livro.
(Nota: estou a escrever isto depois de rever os meus apontamentos do livro, mais de 3 anos depois da primeira leitura, com plena consciência das mudanças pessoais e profissionais que vivi neste mesmo período)
” Devemos todos estar otimistas em relação ao que aí vem. O mundo está a melhorar e o progresso está a chegar mais depressa que nunca. Este livro é um guia consciente para um futuro entusiasmante e desafiador“
Bill Gates
O livro
Este é um livro sobre transformação, movida por um sentimento de empatia e um desejo de empoderar os outros.
É um livro sobre a mudança que vai chegar a todas as nossas vidas, à medida que testemunhamos a onda mais transformativa de tecnologia a que já assistimos – uma onda que vai incluir a inteligência artificial, a realidade mista (mixed reality) e a computação quântica.
(leitura sugerida : “Tecnologia versus Humanidade, de Gerd Leonhard)
É um livro sobre como as pessoas, as organizações e as sociedades podem e devem transformar-se – fazer um refresh – na sua busca insistente de nova energia, novas ideias, relevância e renovação. No centro de tudo é sobre nós, seres humanos, e sobre a qualidade única a que chamamos empatia, que se tornará cada vez mais valiosa num mundo onde a torrente de tecnologia virá pertubar o status quo como nunca antes.
Cada pessoa, cada organização, cada sociedade até chega a um ponto em que deve perante si própria atualizar-se – revigorar-se, renovar-se, restruturar-se repensar o seu propósito. Se pudesse ser tão fácil como carregar no botãozinho de refresh do browser! Claro que, nesta era de atualizações constantes e tecnologias sempre ligadas, carregar no refresh pode parecer antiquado, mas, mesmo assim, quando é bem feito, quando as pessoas e as culturas se recriam e se atualizam, isso pode resultar num renascimento.
A liderança e a cultura organizacional em tempos de mudança
“A minha abordagem nunca foi fazer o negócio do costume. Em vez disso, tem sido concentrar-me na cultura e imaginar o que pode ser feito”
Satya foi jogador de criquete e identifica histórias desse breve passado que liga diretamente aos princípios negociais e de liderança que ainda hoje utilizar, no que apelida de um alquimia de propósito, inovação e empatia:
- Competir vigorosamente e com paixão face à incerteza e à intimidação. “Temos sempre de ter respeito pelo nosso adversário, mas que não podemos ficar a olhar para ele. Temos de competir.
- Por a equipa em primeiro lugar, à frente das nossas estatísticas e do nosso reconhecimento pessoal. “Um elemento brilhante que não põe a equipa em primeiro lugar pode destruir toda a equipa”
- Ser líder com empatia. “Tem que ver com trazer cá para fo a o melhor em cada um de nós”
No centro do negócio, tem de estar a curiosidade e o desejo de ir ao encontro das necessidades por articular e por cumprir do cliente, com uma tecnologia de excelência. Não há maneira de o fazermos se não absorvermos com maior atenção e empatia aquilo de que os clientes precisam. Essa é a atitude mental de crescimento.
A chave para a cultura de mudança na realidade descrita no livro foi a habilitação individual. Por vezes, subestimamos o que cada um de nós pode fazer para tornar as coisas possíveis, e sobrestimamos o que os outros precisam de fazer por nós.
A mudança cultural é dificil. Pode ser dolorosa. O medo do desconhecido é a fonte fundamental de resistência à mudança.
No entanto, uma atitude mental de crescimento permite-nos antecipar e reagir melhor às incertezas. Um líder tem de ter uma ideia do que fazer – inovar perante o medo e a inércia.
leitura sugerida : “Mindset – a atitude mental para o sucesso, de Carol S. Dweck)
Os constrangimentos são reais e nunca nos abandonarão, mas os líderes são campeões a contornar os constrangimentos. Eles fazem as coisas acontecer.
Cada organização defini-lo-á de maneiras diferentes, mas para Satya Nadella há três princípios de liderança:
- Trazer clareza àqueles com que se trabalha. É preciso sintetizar aquilo que é complexo. Os líderes pegam no ruído interno e externo e sintetizam a partir daí uma mensagem.
- Os líderes geram energia. Os líderes precisam de inspirar otimismo, criatividade, empenho partilhado e crescimento nos bons e maus momentos. Criam um ambiente onde todos podem fazer o seu melhor trabalho.
- Arranjam maneira de criar sucesso, de fazer as coisas acontecer. Isto quer dizer impulsionar inovações que agradem às pessoas e que inspirem a trabalhar; encontrar um equilibrio entre o sucesso a longo prazo e a vitória a curto prazo; e atravessar fronteiras e pensar globalmente para encontrar soluções-
leitura sugerida : “The fearless organization – creating psychological safety in the workplace for learning, innovation and growth, de Amy C. Edmondson)
As parcerias
“Um líder deve ver as oportunidades externas e as capacidades e a cultura internas – e todas as ligações entre elas -, respondendo-lhes antes de elas se tornarem partes óbvias da sabedoria convencional”
As parcerias saudáveis – muitas vezes dificeis mas sempre mutuamente benéficas – são o produto natural e muito necessário da cultura que estamos a construir.
Steve Ballmer descreve-as com os seus 3 “C”: Imaginem um alvo com 3 aneis concêntricos. O anel exterior refere-se aos conceitos. Uma organização pode ter uma ideia conceptual – um sonho ou imaginação cheia de novas ideias e abordagens, mas tem aquilo que está no segundo anel: capacidades? Têm as habilitações para construir sozinhos esse conceito? E, por fim, no centro do alvo,está a cultura que adota novos conceitos e novas capacidades e não as sufoca. É disso que precisamos, a fim de fabricar e sustentar produtos que produzem inovação e agradam ao cliente – parceiras inteligentes. Os conceitos são melhores e as capacidades são mais abrangentes quando a cultura convida parceiros a juntar-se-lhe.
Quando é bem feita, uma associação torna o bolo maior para todos.
As parcerias – e particularmente com concorrentes – devem ter que ver com fortalecer a atividade principal de uma empresa, e isso centra-se, em última instância, na criação de valor adicional para o cliente.
Há alturas em que isso quer dizer trabalhar com velhos rivais e outras em que significa forjar novas e surpreendentes parcerias.
Nos nossos dias de transformação digital, cada organização e cada indústria é um potencial parceiro.
As empresas estão focadas em garantir que se mantêm relevantes e competitivas ao adotarem esta transformação. Para o fazer, existem quatro iniciativas que todas as companhias devem tornar prioritárias:
- Motivar a sua base de clientes, aproveitando os dados para melhorar a experiência do cliente;
- Habilitar os seus próprios funcionários, permitindo uma maior e mais ativa produtividade e colaboração no novo mundo digital;
- Otimizar as operações, automatizando e simplificando os procedimentos empresariais nas vendas, operações e finanças.
- Tranformar os seus produtos, os seus serviços e os seus modelos de negócio
leitura sugerida : “Digital@Scale –O manual de que precis para transformar a sua empresa, de Jurgen Meffert e Pedro Mendonça)
As parcerias são viagens de exploração mútua, e Satya deixa alguns conselhos:
- Não trazer história desnecessária para as reuniões, e não deixar que as limitações do passado ditem os contornos do futura;
- Ser direto uns com os outros é a melhor maneira de alcançar um resultado mutuamente agradável no mais curto espaço de tempo possível;
- Em vez de nos deixarmos distrair pelas infindáveis oportunidades de colaboração e pelas numerosas questões que elas levantam, começar por uma ou duas áreas de foco.
- Por vezes é preciso olhar uma relação pré-existente com um novo olhar. Uma estratégia que falhou no passado pode resultar no futuro. A tecnologia muda. As pessoas mudam. É um erro olhar para uma relação com uma causa perdida. O amanhã começa sempre com uma oportunidade de criar novas oportunidades.
Tecnologia, educaçao, pessoas e o desenvolvimento económico
“Numa empresa de sucesso, é tão importante desaprender alguns velhos hábitos como aprender novas competências”
Precisamos de inovações tecnológicas para lá do que estamos a ver, e [Satya Nadella acredita que] a realidade mista, a inteligência artificial e a computação quântica são o tipo de inovações que vão servir como aceleradores .
Mas como é que esta última vaga de tecnologia pode ser utilizada para crescer o emprego e a oportunidade económica?
Satya Nadella defende que os legisladores deviam estar a conceber planos para disponibilizar aos empreendedores locais as melhores tecnologias existentes, para estes poderem crescer de modo orgânico mais trabalho local – não apenas nas indústrias de alta tecnologia mas em todos os setores económicos. Precisam de desenvolver estratégias económicas que possam reforçar as vantagens naturais de que as suas regiões dispõem em indústrias específicas ao abraçarem rapidamente e por inteiro tecnologias de ponta que as apoiem.
As difernças entre nações ricas e pobres podem ser maioritariamente explicadas pela velocidade com que adotaram tecnologias industriais. Mas igualmente importante é a intensidade que colocam no aproveitamento das novas tecnologias. Mesmo quando países que levaram algum tempo a adotar novas tecnologias acabam por fazê-lo, é a intensidade do modos como as usam, e não apenas o seu acesso a elas, que cria oportunidades económicas.
São necessários mais programas de treino intensivo que tenham efeitos mais alargados nas práticas empresariais.
À medida que considera todas as provas e reflete sobre as suas experiências , Satya chega à seguinte equação simplificada
∑(Educação + Inovação) x Intensidade de Utilização da Tecnologia = Crescimento Económico.
A educação somada à inovação, aplicadas amplamente através da economia e especialmente em setores onde o país ou a região têm uma vantagem comparativa, multiplicadas pela utilização intensiva da tecnologia, ao longo do tempo, levam ao crescimento económico e à produtividade.
Tecnologias inovadoras, somadas a uma mão de obra treinada para as usar produtivamente, multiplicadas pela intensidade da sua utilização, espalham o crescimento económico e a oportunidade.
Os líderes a todos os níveis – do nacional ao comunitário – devem fomentar uma adoção não apenas rápida mas intensiva das novas tecnologias que possa propulsionar a produtividade. Não é preciso inventar a roda, mas convém adotá-la rapidamente, porque as sociedades que utilizam mais rapidamente as novas ferramentas irão provavelmente ser mais produtivas.
O caminho para as novas tecnologias implica um investimento paralelo no desenvolvimento das habilitações – garantir que as pessoas têm as aptidões necessárias para participar numa sociedade cada vez mais digital, que depende de aparelhos inteligentes e serviços online. Nas escolas isto implica promover a literacia digital e garantir que tanto professores como alunos têm acesso a baixo custo à tecnologia e a ferramentas de aprendizagem. No local de trablaho, precisamos de investir na aprendizagem ao longo da vida, concentrando-nos em programas e investimentos que promovam a requalificação para a cloud e numa força de trabalho mais preparada para o digital.
O conhecimento é necessário para encontras novas utilizações para novas tecnologias, e esse conhecimento é acumulado através do treino e da experiência.
Os países que investirem no desenvolvimento das habilitações tecnológicas enquanto percentagem do PIB verão as recompensas.
Os empreendedores contribuem para o crescimento económico muito mais do que a simples palavra “inovação” pode dar a entender. E a educação é o parente mais próximo da inovação que permite alimentar o crescimento.
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