Entrevista com Cristina Felizardo (#2/21)

“Só há uma especialista na tua vida e essa és tu. Queres saber o segredo para encontrares uma nova felicidade? A Atitude. Está tudo na tua atitude. É com base nela que fazes as tuas escolhas: podes escolher entre ficar sentada à espera de que a vida te aconteça ou podes levantar-te e fazer acontecer a tua vida.

Eu vou lá estar, ao teu lado. Pois, hoje, sou eu a pessoa-lanterna” 

Olá Cristina.

As nossas almas de caminheiros errantes já viveram muitas guerras juntas”, e a primeira que me recordo coincide com o momento em que te conheci como mãe de uma criança especial e que fazia parte de um grupo de mães que tinha esse desafio pessoal em comum.

Percebi mais tarde que estavas no teu plano B e tive o prazer de acompanhar relativamente de perto esse crescimento, essa montanha até ao teu 📘Plano C para a felicidade”.

Sabes que para mim és a mulher mais guerreira que conheço e que te admiro muito tanto pessoalmente como o teu percurso profissional.

Para quem nos lê…

Quem é a Cristina Felizardo? 

Olha, sou aquela pessoa que está a escrever esta resposta à uma e meia da manhã depois de terminar a entrevista online, via Zoom, a uma investigadora australiana da área do luto (é um fuso horário de + 11 horas). Sim! Sou esse tipo de pessoa. Ah! Ah! Agora, fora de brincadeira, para alguns sou teimosa (aqueles que normalmente chateio), para outros sou determinada (aqueles que normalmente ajudo), mas no fundo o que sou é perseverante… luto até ao fim, no que acredito, em quem acredito, pelos meus.  

sou feliz, tramada, afetuosa, guerreira, proativa, perseverante, otimista, cuidadora e dinâmica.
Mas isto é só virtudes??
Nope… também há defeitos. Teimosa até dizer chega. Posso reconhecer que não tenho a razão do meu lado, mas para isso, a outra parte tem que ser exímia na argumentação do seu caso”.
Eu diria que és, isso sim, uma mulher na última fase do seu plano C – “A construção” e que para aí chegar já “escalaste muitas montanhas”. Faz sentido para ti? O que aconselhas a quem também queira ter essa autoestima, essa autoconfiança?

Digo que façam melhor já!

Chega de autocomiseração.

Chega de procrastinação.

Chega de vitimização.

Se estão à espera de seguir o conselho do povo “com o tempo isso passa”, a única coisa que vai acontecer é que esse tempo vai passar.

O tempo só vos vai dar tempo para nele fazerem acontecer. Está na hora de levantar o rabiosque do sofá e seguir caminho. É desconhecido, eu sei. É assustador, será com certeza. Vai dar trabalho, quase de certeza. Mas o que têm a perder? Se nada fizerem, nada acontece. Pelo menos assim, a vida continua a acontecer e com ela um monte de experiências, escolhas, relações, onde podes fazer, dar e ser o teu melhor. Podes viver a vida com a preciosidade que lhe é devida. E a cada passo dado, em cada viagem, no fim de cada história, serão mais, mas tão mais do que eram quando começaram.

Estou muito focado no teu lado pessoal, mas eu não o consigo dissociar do teu lado profissional, onde também se nota o espírito guerreiro, em que te entregas e dás tudo. És conselheira de luto, és investigadora na Universidade de Aveiro e a prova disso é que, recentemente , foste premiada como o melhor pitch num congresso da tua área de investigação. [Pitch de investigadora do CIDTFF no Research Summit 2022 da Universidade premiado – CIDTFF (ua.pt)]

 

…(assim fico meio sem jeito, né?!) 😉

Sei que não são os prémios que te movem mas, naturalmente, todos gostamos de ser reconhecidos. O que representa para ti esta fase da tua vida?

A consolidação do conhecimento que resultou desta viagem transformadora.

De mãe de uma criança com necessidades especiais, a cuidadora informal, a dirigente associativa, a conselheira do luto, a palestrante, a escritora, a comentadora de programas de televisão e a investigadora na Universidade de Aveiro.

Amo este crescimento como pessoa em toda a dimensão do meu ser.

Até chegares aqui, entre outras coisas que fazes, destaco o teu projeto  Cfeliz  e o lançamento do teu livro “Plano C para a felicidade” do qual, como já se deve ter notado (espero que com sucesso 🤔) estou a tentar retirar algumas ideias que considero fundamentais.

Como surgiram esses projetos no teu percurso e o que representam para ti? (Se estiver a ser injusto em destacar apenas estes, não deixes de mencionar outros 😉)

O Cfeliz é parte de mim. Não é uma profissão é uma forma de estar. Todos os dias, neste projeto de Aconselhamento no Luto, ao ajudar outras pessoas que se encontram perante as suas montanhas, estou a transformar a minha dor em valor humano.

O livro “Plano C para a Felicidade” foi um marco. Ter a possibilidade de deixar o legado sobre a importância desta intervenção, o que a originou, o que veio a seguir, assinala um marco na vida.

Como tu própria referes, precisamos de chegar a um ponto em que fazemos uma derradeira viagem ao centro do nosso EU que precisamos de praticar o autocuidado pois “somos um ser holístico e precisas do corpo, mente e espírito sãos; para poderes fazer o melhor já”. Como promoves tudo isto na tua vida?  

Com o self care. Reflexão sobre as minhas prórpias perdas. Como as superei. O que aprendi. O que senti. E depois desta reflexão, desafio-me a ir mais além. Só mais um passo, só mais um degrau, só um bocadinho mais… exemplo disso, foi iniciar o programa doutoral, para um desafio mental, iniciar as aventuras de bicicleta com viagens de longa distância em autonomia (recentemente fiz o Caminho Francês de Santiago em bicicleta, num total de 840 km), para um desafio físico (embora que nesta viagem o desafio também foi mental, emocional, espiritual, etc).

Quando te lancei este desafio, senti enorme orgulho quando partilhaste comigo mais uma vitória neste teu caminho e que acaba por ser mais um prémio pela tua atitude.

Podes partilhar qual é esta vitória mais recente? O que podemos esperar da Cristina daqui para a frente?

😀 Fui aceite como oradora na Conferência Internacional de Luto, que se vai realizar na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. (Meu Deus! Ainda nem acredito!)
Daqui para a frente… não sei. Mas o que sei é que com a perseverança que me caracteriza, aqui sentada não fico.

Que livro aconselharias a qualquer pessoa como “leitura obrigatória”?

📘 A Cor Púrpura de Alice Walker.

Foi escrito em 1982, e no entanto os temas que servem de base a este romance permanecem atuais: violência doméstica, questões de género, abuso de poder, mas também sobre o poder dos afetos e do que acontece quando cuidamos de quem amamos.

 

Por isso, do que estás à espera?

Faz-me o favor e CFeliz

Cristina Felizardo, in “Plano C para a felicidade” 

Acredita que posso acrescentar valor aos seus projetos?