Entrevista com Carla Amador (#6/21)

“Sempre que der vontade de desistir, olha para trás, vê o caminho que já percorreste, vê quem está lá para te apoiar e segue em frente pois é na conquista, na dificuldade que se ganha a motivação.
Quantos de nós achamos confortável donde vimos e optamos por voltar?
Quantos de nós temos o apoio das pessoas certas e corremos atrás de quem nem um sinal nos dá?
Quantos de nós sabemos o melhor a fazer e não saímos do lugar?”

Começaste por ser a namorada de um dos meus melhores amigos, ficámos naturalmente amigos, tivemos momentos mais próximos e mais afastados numa “outra versão da vida” de cada um de nós.

Sempre foste muito dinâmica na sociedade e no desporto, no entanto hoje vejo uma Carla muito diferente, muito mais segura de si e a fazer um percurso muito próprio, daí esta entrevista ter que ser mesmo agora, num momento muito associado a recomeços.

Para quem não te conhece…

Quem é, hoje,  a Carla Amador? 

Quando nos conhecemos a Carla era uma jovem, a sair de casa dos pais, cheia de crenças e exemplos, era condicionada pela idade e liberdade da altura. A Carla Amador hoje é uma mulher, é mãe, empreendedora, e tantas outras, mas que se conhece em todas as frentes, hoje sei o que quero, o que gosto, quando tenho de parar e ouvir o meu corpo, quem quero ao meu lado, sei que a única pessoa a quem tenho de agradar é a mim, que a única pessoa com quem tenho de competir é comigo, aprendi a dizer sim a mim, e aos poucos venho a aceitar que sou a quebra ciclos da família, isso dá-me uma responsabilidade e um amadurecimento ao qual sou muito grata, pois é o que me faz evoluir. A Carla continua a cair, e a ter dias maus, este processo de autoconhecimento é continuo e instável, com uma diferença, já não fico no chão muito tempo, já sei a quem posso recorrer para continuar o caminho, a viagem tornou-se muito mais leve.

Há cerca de um ano atrás largaste um “porto seguro” a nível profissional, a tua zona de conforto e avançaste, decidiste ser dos que saem do lugar para fazer o que consideras melhor para ti…

“Não há fórmulas mágicas, há vontade de sair de lá e seguir em frente, e essa força vem de dentro, vem da forma como olhamos o mundo vem da forma como olhamos para lá das janelas, o mundo não tem limites para quem se permite.”

Numa época de tanta mudança e imprevisibilidade, em que todos tentam garantir segurança, O que te levou a decidir mudar de vida, a permitires-te?

Quando comecei a trabalhar em mim, todas as camadas começaram a ser trabalhadas, a postura mudou, a forma como comecei a ver o mundo mudou, aquilo que hoje era verdade, amanhã já podia não ser e nem sempre as pessoas à minha volta acompanharam a evolução e quando assim é começas a não te sentir confortável, onde tudo era confortável. Sou de uma geração que trabalhar muitos anos na mesma empresa era sinónimo de bom funcionário, e foi sempre isso que me fazia sentir orgulhosa e feliz, mas chegou o dia que percebi que a felicidade está dentro de mim e por muito que estivesse a fazer algo que gostava já não me fazia feliz. Decidi arriscar, ver o que existia para lá da empresa onde estava, felizmente tenho apoio familiar que se não correr bem sei que vão lá estar para me apoiar, e não me refiro economicamente, mas sim emocionalmente, e isso permite-me estar serena, tranquila, e feliz a fazer o que realmente gosto, cuidar pessoas.

O nome do teu projeto é “Sai da rotina”.

Tentas, de alguma forma, com as terapias que vais conseguindo ter disponíveis, ajudar as pessoas a ter os seus “momentos de pausa, (…) a olhar para dentro e a (…) melhorar o seu relacionamento consigo e com os outros”? Dá-nos a conhecer um pouco melhor este teu projeto.

O nome “Sai da Rotina” surge numa altura da minha vida que me sentia na roda no hámster, tinha na altura atingido aquilo que julgava ser o certo, casada, mãe de dois filhos, emprego fixo, casa, carro, tudo o que era expectável atingir, resumindo uma vida de rotinas, mas não cuidava de mim, inconscientemente tinha-me anulado. Pensamento: e porque não fazer algo onde pessoas que estejam na mesma situação que eu, possam sair da rotina nem que seja só por uma hora, mas na verdade não sabia como, o nome ficou na gaveta a marinar.

Ao começar a trabalhar em mim, começo a descobrir o que gosto e começa a vir ao de cima o que seria, nasce então a primeira sala de massagens, ali eu podia cuidar, conseguia trabalhar em mim e o meu desenvolvimento continuava com muita terapia. Começo a perceber que da mesma forma que eu precisava, talvez mais pessoas precisavam, então porque não trazer áreas diferentes e que se complementam para o espaço, nasce assim a segunda sala de terapias com o objetivo de trazer mais opções a mais pessoas.

Tens disponível várias terapias alternativas, para além das massagens terapêuticas. Estas ainda têm, muitas vezes, algumas dificuldades em ser compreendidas e aceites. Sei que te rodeias de profissionais da tua confiança pessoal e profissional e isso é, claramente, uma mais valia.

Quais os maiores desafios que tiveste de superar até ao momento para conseguir afirmar o teu espaço?

Neste momento as terapias disponíveis são, meditação, reiki, reflexologia podal, acupuntura, fisioterapia, taças tibetanas, coach relacionamentos e sexualidade, coach de parentalidade consciente, nutrição, aromoterapia, medicina da terra e constelações familiares, estas são as terapias de referência, depois cada terapeuta têm várias ferramentas que se complementam.

A maior dificuldade passa mesmo por as pessoas perceberem os benefícios de cada terapia, perceberem o que devem procurar para a sua situação, muitas vezes perceberem inclusive que precisam de ajuda. E investirem no auto-cuidado.

A segunda maior dificuldade é as pessoas ainda não perceberem o que é o dinheiro, o dinheiro é uma energia de felicidade, quando as pessoas começarem a ver o dinheiro assim começam a tomar mais conta delas, isto é, imagina que eu te dou 20€ pelos teus serviços, gerei felicidade a mim que trouxe a solução a um problema, a ti porque consegues solucionar as tuas contas, tu com a mesma nota vais comprar umas sapatilhas à tua filha, geraste felicidade, a sra da sapataria com a mesma nota vai comprar pão, gerou felicidade, o padeiro veio fazer uma massagem gerou felicidade , é isto quando percebemos que geramos felicidade, que não pagamos contas , a mentalidade muda e tudo muda.

A terceira é as pessoas procurarem respostas rápidas, não se consegue nada de um dia para o outro, se os carros precisam de manutenção o que podemos dizer de nós? Terapia é manutenção, é antecipar problemas maiores nomeadamente doenças. A terapia resulta com uma entrega 50%-50%, mas com um compromisso 0-100%.

Esta é a minha verdade é aquilo que eu acredito e vivencio.

Um dos teus objetivos é fazer mais serviços fora do teu espaço, nomeadamente em empresas. Hoje fala-se muito de felicidade e bem-estar no local de trabalho, no entanto parece-nos tudo muito distante e apenas ao alcance de algumas empresas com líderes de pensamento mais moderno.

Como vês o crescimento do teu projeto no mercado empresarial? O que tens a dizer a um líder de uma empresa para que saiba que contratar os serviços da “Sai da rotina” é um bom investimento?

Tendo em conta o meu caminho, consigo hoje dizer que é fundamental as pessoas evoluírem em quanto pessoas, para estarem bem enquanto colaboradores de uma empresa, não podemos esperar bons resultados de pessoas desanimadas, desmotivadas, pessoas que vão trabalhar por obrigação de colocar dinheiro em casa, acredito ser uma mais valia o investimento na saúde, física e mental dos colaboradores para que assim a produtividade aumente, e as possíveis lesões diminuam, as pessoas necessitam de ser valorizadas escutadas e cuidadas.

Vejo a minha massagem como uma rampa de lançamento para a descoberta pessoal, eu não faço só a massagem, eu tento entender os sinais do corpo da pessoa e encaminhar para o que lhe pode ajudar para começar a cuidar de si.

Tendemos a responsabilizar as escolas, os empregos, os grupos desportivos, pelas faltas que tivemos ou temos em casa, mas a verdade é que se nestes sítios se puder pelo menos ajudar a ver a origem, já é meio caminho andado para a solução, e às vezes basta só ser ouvinte empático.

Para chegares a este ponto fizeste uma aposta em desenvolvimento pessoal. As citações que fui fazendo são retiradas das tuas redes sociais apenas no último ano, que revelam muito do que pensas e sentes.

Uma das experiências que temos em comum e que sei que foi marcante para ambos é o “caminho de Santiago”, e a analogia da mochila com a nossa vida, com tudo o que carregamos pela dificuldade em percebermos as nossas necessidades.

Tendo em conta a tua experiência, o que aconselhas a alguém que se sinta numa encruzilhada em algum plano da vida, mas com dificuldade em dar o “salto de fé”?

Hoje em dia sou da opinião que não sou ninguém para dar conselhos, pois isso tira a responsabilidade à pessoa e passa-a para mim. Pois se algo não corre como a pessoa esperava vai dizer “a Terapeuta disse”. Assim, a sugestão que dou a toda a gente inclusive nos grupos de jovens com quem trabalho, aos meus filhos e a quem me vai aparecendo pelo caminho é Conheçam-se , quando sabemos o que queremos, sabemos o nosso valor, temos opinião, não há nada que seja uma dificuldade, pois passamos a estar seguros de que um problema tem várias soluções e arriscamos com vontade de sucesso. Depois rodearmo-nos de pessoas que já fizeram o caminho e nos dizem onde estão os buracos, podemos cair na mesma, mas a queda já é menor.

Pedir ajuda é um ato de coragem.

Para terminar, e como já me é hábito questionar…

Que livro aconselharias a qualquer pessoa como “leitura obrigatória”?

📘 O cavaleiro da armadura enferrujada – Robert Fisher

📘 Comunicação Não-Violenta – O Segredo para Comunicar Com Sucesso

📘 Segredos da mente milionária

Acredita que posso acrescentar valor aos seus projetos?