Educação, empresas e competências na era da Inteligência Artificial Generativa”
A inteligência Artificial, mais concretamente a Inteligência Artificial Generativa (IAG) – de que são exemplos mais conhecidos o ChatGPT e o Gemini, por exemplo – têm merecido imenso destaque por parte de todos os setores da sociedade e justificadamente pois, afinal, estamos perante uma mudança muito mais acelerada do que estamos habituados e até preparados como sociedade.
“Embora o impacto a longo prazo da IAG no mercado de trabalho e nos salários ainda não esteja claro, esperamos que os empregos mudem fundamentalmente. O impacto a longo prazo dependerá de quanto e com que rapidez o mercado adota tecnologias aumentadas por IAG. A curto prazo, esperamos que os empregos mudem através da incorporação destas novas tecnologias, o que reduzirá o tempo gasto na aplicação de algumas competências, mas que tornará outras competências muito mais importantes. É por isso que o impacto da IAG nos empregos deve ser uma conversa sobre a construção das competências certas para adotar e complementar as tecnologias IAG, e não sobre o desaparecimento do trabalho. O mais provável é que não seja a exposição à IAG que irá escrever o futuro da força de trabalho, mas como os líderes e os trabalhadores respondem à sua utilização.” 1
Para já lidamos com algumas dificuldades como as identificadas no estudo da IDC “Thriving in an AI-Driven future: Defining Critical Skilss and Tools as jobs evolve” 2
- Escassez contínua de competências: encontrar o talento certo com as competências certas
- Velocidade de adoção de tecnologia: novas ferramentas e formas de trabalhar
- O surgimento da IAG como disruptora chave para as competências profissionais tradicionais
- Conhecer os conjuntos de competências certos para funções atuais e futuras
- Incapacidade de atualizar e aumentar as competências dos funcionários atuais para dar resposta às necessidades
- A educação estar atrás das necessidades da indústria, o que torna difícil para os recém-licenciados satisfazerem os requisitos de competências (aqui eu incluiria também o ensino profissional)
Sendo a IAG um elemento fundamental na transformação atual é preocupante ver os números indicados neste mesmo estudo em que 44% dos empregadores defendem a importância de competências relacionadas com IAG em novas contratações e que, ao mesmo tempo, 42% não tenham qualquer plano de capacitar colaboradores nesta área num futuro próximo ⚠️
Isto leva-nos à necessidade de também olharmos para as competências Humanas e de negócio que nos permitem utilizar a IAG de forma a aumentarmos a nossa produtividade, bem como o nosso potencial de colaboração e comunicação, competências comuns ao negócio e à Tecnologias de Informação, o que também é validado pelo relatório “Future of Jobs survey 2023” 3 , do World Economic Forum em que a Literacia tecnológica aparece a seguir a pensamento crítico e pensamento analítico, o nosso lado humano.
O que estes estudos acabam por apresentar em comum, é o facto de ser preciso um investimento nas nossas competências próprias de flexibilidade, de bem-estar emocional e de aprendizagem ao longo da vida, de mantermos uma mente de principiante, diria eu.
Aqui, e tendo estado sempre ligado ao mundo da formação profissional, surge-me sem surpresa o destaque da importância da formação certificada por fabricantes atribuída por 74% dos inquiridos, afirmando a importância da mesma no momento da contratação, assim como os 50% que referem que as mesmas oferecem uma maior flexibilidade na carreira ou os 45% que referem que as mesmas conduzem a funções mais relevantes e com melhor retorno financeiro.
Acrescento aqui o facto de, hoje, muitos dos fabricantes disponibilizarem excelentes conteúdos de formação de forma livre na internet.
Na falta de aposta por parte das empresas e/ou das instituições de ensino nas mesmas, cabe a cada um de nós perceber o que podemos fazer para nos destacarmos.
A tecnologia está cá e a evoluir mais rapidamente que nunca. Uma coisa continua certa. Temos que ser nós a tirar o melhor proveito dela, conforme os nossos objetivos pessoais que, como humanos que somos, são diferentes para cada um.
A tecnologia vai reinventar o negócio, mas as relações humanas continuarão a ser a chave para o sucesso.
Stephen Covey
1 Preparing the Workforce for Generative AI | Linkedin
2 IDC “Thriving in an AI-Driven future: Defining Critical Skilss and Tools as jobs evolve“
3 The Future of Jobs Report 2023 | World Economic Forum
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